Com o lançamento de Legacy of the Void, a Blizzard dá fim a um
arco de história iniciado no agora distante ano de 2010. Vendido tanto na forma
de uma expansão quanto de um game que funciona de forma individual, o jogo
apresenta um dos pontos altos da saga espacial que a empresa vem desenvolvendo
há mais de uma década — experiência que vem sendo complementada ao longo dos
anos por uma série de livros e histórias em quadrinhos.
Na terceira parte
da campanha principal, estrelada pelos Protoss, você toma controle de Artanis,
que tem como missão retomar o planeta-natal de sua espécie. Embora inicialmente
essa missão pareça difícil, mas possível, logo ela se mostra mais complexa do
que o esperado graças ao envolvimento do Deus Sombrio Amon, um xel`naga
renegado cujo objetivo é destruir a vida no universo para depois recriá-la à
sua imagem.
Durante a aventura,
o jogador vai reencontrar diversos rostos conhecidos e ganhar uma perspectiva
diferente sobre as vitórias e derrotas que permearam a série desde sua
concepção. Já aqueles que não ligam muito para a história de StarCraft ganham
uma série de melhorias ao modo multiplayer, que permanece uma ótima opção mesmo
que o gênero RTS esteja distante de seus dias de glória.
A trama de
StarCraft II: Legacy of the Void segue um caminho um tanto previsível — ao
menos se comparado com o que foi visto em Wings
of Liberty e Heart of the Swarm —, mas isso não chega
a ser algo exatamente ruim. O que a Blizzard peca em originalidade compensa no
investimento em personagens interessantes que apresentam alguns dos diálogos
mais bem-escritos da história do estúdio.
Também agrada a
grande qualidade das cenas de animação, que permanecem uma das áreas de
especialidade da companhia. As 19 missões da campanha principal — somadas aos
três níveis do prólogo lançado há algum tempo — valem o investimento de tempo
exigido, nem que seja para que você possa testemunhar alguns dos combates mais
bonitos (do ponto de vista plástico) já criados em um jogo eletrônico.
A estrutura da
campanha principal é familiar a quem jogou os capítulos anteriores: após
algumas aventuras, você adquire uma nave que serve como área central de
operações. No local você vai interagir com os membros de sua equipe, escolher
novas missões, investir em especializações para suas unidades e alocar pontos
de habilidade à sua nave — adquiridos mediante o sucesso nos níveis do jogo.
Mesmo que essa
estrutura não seja exatamente nova, ela continua a funcionar muito bem. Algo
que permanece um destaque são os objetivos secundários opcionais presentes em
cada missão que, se conquistados, garantem recursos adicionais ao seu
desenvolvimento. O desafio proporcionado por alguns deles é grande, servindo de
estímulo para você retornar a fases anteriores com um exército mais
desenvolvido.
O maior elogio que
deve ser feito à campanha para um jogador de Legacy of the Void é o fato de ela
evitar cair na mesma armadilha que Heart of the Swarm. Enquanto o título
intermediário do RTS parecia se tratar somente de uma “skin zerg” para a
estrutura estabelecida por Wings of Liberty, agora a Blizzard investiu em
missões com estruturas e desafios variados, que realmente recompensa a
criatividade na resolução dos desafios apresentados.
Uma guerra pessoal
O modo para um
jogador pode ser recompensador, mas quase todos sabem que a maior parte dos fãs
de StarCraft se interessa pela franquia por seu multiplayer. Embora ainda seja
cedo para dizer como as novas unidades inseridas pela Blizzard vão afetar o
metagame, fato é que, ao menos em um momento inicial, elas parecem solucionar
alguns dos problemas e limitações apontados pelos jogadores anteriormente.
Como é de se
imaginar, o lançamento da expansão não deve decretar o fim dos ajustes feitos
pela companhia. A previsão que, com o interesse renovado que a franquia deve
ter nos próximos meses — e a realização de torneios baseados na nova versão —
diversos patches destinados a balancear o RTS sejam lançados em ritmo
frequente.
Essas não foram as
únicas mudanças do modo, que recebeu uma interface remodelada — mesmo que ainda
um pouco confusa em certos pontos — e servidores locais. Esse último ponto é
especialmente importante para os jogadores brasileiros, que agora contam com
uma redução considerável na latência, o que se traduz em uma maior capacidade
de jogar de forma competitiva.
No entanto, a
principal novidade fica pela inclusão de missões cooperativas, que funcionam
como uma espécie de extensão da campanha single player. Nelas, você escolhe um
entre seis heróis e se une a outro jogador para encarar desafios que vão da
proteção de um campo específico do mapa até a interceptação de caravanas que
levam recursos perigosos até a base de um adversário.
Ainda há uma
quantidade limitada de missões, cuja pouca variedade é compensada pelo sistema
de níveis adotado pela Blizzard. Quanto mais tempo você investe em um
personagem, maiores as habilidades e bônus de recursos que ele vai ter nas
próximas fases que você encarar — caso você queira apressar sua evolução, pode
aumentar o nível de dificuldade e investir na busca aleatória de fases para ter
um aumento permanente nos pontos de experiência adquiridos.
O estúdio também
investiu em um novo sistema de torneios automáticos organizados pela
inteligência artificial e pegou emprestada de Heroes of the Storm as missões
diárias que, se cumpridas, garantem diversas vantagens aos jogadores. Por fim,
o sistema de tutorial foi ligeiramente reformulado para permitir que jogadores
novos se adaptem mais facilmente ao multiplayer competitivo, cujo ritmo e
estrutura são bastante diferentes do modo para um jogador.
Comandante, temos alguns problemas
Infelizmente, nem
tudo é perfeito no novo capítulo de StarCraft II. Muitos vão reclamar dos
momentos finais da campanha, que termina de forma a dar brecha para possíveis
continuações — como os já anunciados DLCs estrelados por Nova. Embora pessoalmente
tenha julgado o final satisfatório, entendo que muitos vão ficar decepcionados
por não ter exatamente cumpridas todas as promessas indicadas pela Blizzard.
Esse problema é
pequeno frente aos diversos deslizes que a companhia cometeu na adaptação para
o português brasileiro, justamente uma das áreas em que ela sempre teve muito
destaque. Durante vários momentos da jogatina — especialmente nas partidas
online cooperativas —, os soldados controlados simplesmente esqueceram que
deveriam falar nossa língua e soltaram algumas frases em inglês.
Além disso, não há
como negar que, apesar de um ou outro retoque, a engine gráfica de StarCraft II
está envelhecida. Mesmo que a movimentação de centenas de unidades e os efeitos
de explosão da série continuem impressionantes, uma inspeção mais detalhada
revela personagens com poucos detalhes e com texturas em baixa resolução — algo
especialmente evidente nas cenas de corte da campanha principal.
Vale a pena?
StarCraft II:
Legacy of the Void é um encerramento excelente para a trilogia iniciada em 2010
pela Blizzard. A trama principal é recompensadora, embora previsível, trazendo
algumas dos diálogos mais inspirados da história da empresa. A experiência é
complementada por belas cenas de animação e 19 missões que prezam pela
diversidade de desafios.
No entanto, é o
multiplayer que continua a estrela do game, ganhando uma interface renovada e
novos elementos que ajudam a melhorar uma experiência que já era excelente.
Além de as partidas competitivas ganharem em diversidade, a inclusão de opções
cooperativas deve se provar capaz de atrair parte do público que se sente
intimidado pela grande curva de aprendizado do título.
Legacy of the Void
reforça a impressão de que StarCraft é uma das séries à quais a Blizzard mais
dedica esforços com o objetivo de criar experiências realmente variadas. Além
de a campanha para um jogador ter um sistema de jogabilidade complementamente
diferente em ritmo e complexidade de suas partidas multiplayer, cada uma das
três raças controláveis é um desafio por si só de dominar — o que pode ser um
pouco assustador a princípio, mas que resulta em horas de diversão caso você
faça o comprometimento de tempo necessário para dominar cada uma delas.
O game é uma compra
obrigatória para quem deseja se manter competitivo no cenário de StarCraft II e
uma ótima porta de entrada para quem tem desejo de entender o que constitui um
excelente RTS. Mesmo com alguns tropeços, Legacy of the Void mantém a tradição
de seu estúdio de só associar a seu nome produtos de qualidade indiscutível.
cedido pela Activision Blizzard
Excelente
Legacy of the Void é a prova de que, mesmo eclipsado pelos MOBAs, o gênero RTS ainda tem muito a oferecer ao público
- Campanha interessante
- Ótimas cenas de animação
- Nova interface
- Modos multiplayer enriquecidos
- Inclusão de partidas cooperativas
- Tropeços na dublagem para o português são comuns
- A engine do game está dando sinais de cansaço
- A conclusão da história principal deve desagradar a alguns
- Mapas do modo cooperativo surgem em quantidade bastante limitada
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